segunda-feira, 23 de abril de 2012

Paranóico


Terminei com a minha mulher
Porque ela não pode me ajudar com a minha mente
As pessoas pensam que estou louco
Pois estou franzindo a testa o tempo todo

Durante o dia todo eu penso em coisas
Mas nada parece me satisfazer
Acho que vou perder minha cabeça
Se eu não encontrar alguma coisa para me acalmar

Você pode me ajudar?
Ocupar o meu cérebro?

Alguém precisa me mostrar as coisas na vida que eu não consigo encontrar
Eu não consigo ver as coisas que fazem a verdadeira felicidade
Eu devo estar cego

Faça uma piada e eu darei um suspiro
E você rirá e eu chorarei
Eu não consigo sentir felicidade
Assim como amar para mim é tão irreal

E enquanto você ouve essas palavras contando do meu estado atual
Eu lhe digo para aproveitar a vida
Eu queria ter aproveitado
Mas é tarde demais

terça-feira, 17 de abril de 2012

Lembranças

Qual o valor de uma memória? É estranho a importância que uma lembrança pode ter em determinado momento. Não é uma questão de revisitar lugares do passado, ver rostos de outra vida ou tentar resgatar sentimentos que no presente parecem desprovidos de significado, como se pertecessem a outra pessoa. Não, a lembrança significativa é a que vem durante à noite em vigília solitária, aquela que tira o sono ou simplesmente permite que o sono venha. Existem lembranças ruins, que não queremos lembrar por serem dolorosas demais, porém elas estão intrinsicamente ligadas com as lembranças boas. Também existem as lembranças que atormentam, quando damos as costas a uma oportunidade por fraqueza ou medo, então aqueles locais ganham vida novamente, como se você continuasse neles eternamente. Sempre lá, sempre hesitanto. Sozinho e ao mesmo tempo acompanhado, porque lembranças também são companhias, lugares e pessoas que nos marcaram, lugares e pessoas que geralmente não fazem mais parte da nossa vida, quando só o que queríamos era um segundo a mais com elas. Porém, uma memória é tão fugaz quanto a felicidade, quando estamos com as pessoas certas no lugar certo e o sentimento é recíproco, onde almas se tocam. O passado é nosso eterno companheiro, um santuário pessoal de onde podemos tirar raiva ou amor, dois sentimentos que precisam de solidão para serem alimentados. A dor que gera vida e provoca mudanças. Raiva, amor, vida. Quando nada mais parece ter sentido a única solução é ter coragem e olhar para dentro. Olbar para trás, ter e perder novamente, sabendo que os bons momentos se foram e só o que nos resta são as lembranças, até que o sol nasce e tudo se dissipa. As lembranças dão lugar a vida e o horizonte está cheio de possibilidades. "Mais uma vez para a batalha. Na última briga boa que eu terei. Viva e morra nesse dia. Viva e morra nesse dia"...

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Corrupção

Eu olho no espelho e não me reconheço. Na verdade, tamanha é a estranheza que não reconheço nada, preso na sitiação patética que me encontro atualnente. Nunca sozinho e sempre sozinho. Queria ser a única pessoa no mundo porque é exatamente assim que eu me sinto. O contato com outras pessoas só intensificam meus sentimentos de inadequação, esterilidade e confusão. Os dias passam enquanto afundo em devaneios sociais e românticos. Sou escravo da minha própria superficialidade. Sinceramente, não acho que tenho muitos motivos para me queixar, o que torna tudo mais desesperador. Me sinto um estranho na minha própria casa, quase um pária, como se nada nela me pertencesse. Objetos e pessoas pelas quais eu sinto uma responsabilidade relutante, embora nunca tenha opinado a respeito e não sinta mais nenhuma afinidade com essa tarefa, não desde que me tornei um. Não consigo coinciliar o que eu era antes com o que eu sou agora e por isso não sou uma coisa.nem outra. Queria ter um santuário só meu que me fortalecesse, mas criei um inferno particular de esterilidade e pensamentos profanos, um auto-exílio macabro em comemoração ao fim do mundo. Meu santuário está maculado e não sei como exorcizar essa mancha. Mais do que isso, não sei se ele deve ser exorcizado, porque acho esse infetno digno de mim. Sinto raiva o tempo todo e as pessoas mais próximas de mim são extremamente solícitas. Sou grosseiro, mal-educado e cruel. Mesmo assim permanecesso intocável como um Apolo reencarnado, como se minha mudança fosse apenas uma fase, um recalque. Todos opinam, mas ninguém me ouve. Minha mente é uma flecha certeira, posso oferecer sabedoria e purificação, mas carrego essa responsabilidade sozinha. A mácula recai apenas sobre mim e não sei o que fazer além de impedir que ela manche os outros. Esse é o meu sacrifício e mais uma vez ele terá sido em vão. Todos os caminhos levam ao inferno e a inevitável corrupção da minha alma. E eu aguardo crucificado entre o céu e o inferno enquanto os corvos se refestelam com meus restos mortais.