terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Compartilhando

É assim que as estrelas apagam? Que os universos explodem? Não como uma explosão, assim é o começo. Mas em silêncio. Tudo se torna devagar, a criatividade desaparece e o mundo vira escuridão. Não um vazio, só o nada. Como um planeta perdendo seu fluxo orbitacional, parando lentamente, lentamente...

O que acontece então? Para onde que vai toda aquela energia? A explosão que deu início a tudo. As galáxias surgiram do choque de planetas, todos eles girando em volta da mesma estrela, ela que é toda luz. A fonte de tudo. E se mesmo sabendo disso, ainda não há explicação satisfatória, o que importa quando não houver ninguém observando?

Tudo parece tão pequeno, frágil e cheio de vida. Talvez exista lógica na aleatoriedade, ser orfão de um universo diferente, insignificante. Em dar sentido e significado ao que nos rodeia, como damos aos planetas e  universo, aparentemente tão maiores do que nós. Faltam palavras, mas acha que tudo se resume a uma pergunta: é assim que se morre?

domingo, 20 de janeiro de 2013

Terra longínqua

O barco

Um dracar navega por águas negras e paradas sob um céu acinzentado. Nunca há luz naquela região, no fim do mundo, onde dizem que habitam os dragões. O avanço é lento e monótono, e seria imperceptível não fossem as ilhotas que brotam do mar, meio afundadas e habitadas por viajantes meio loucos, aventureiros que se perderam, tiveram medo de avançar ou que simplesmente esqueceram o caminho de volta. Ainda assim, a embarcação avança...

No fundo

Esqueletos habitam as ilhotas, fantasmas. Alguns se aventuram a olhar o barco passar, mãos que tateiam hesitantemente, enquanto outros se escondem em cabanas feitas de trapos. Homens nus e sujos todos eles.

A vela

Uma única vela arde no convés do barco, uma lanterna quase cegante na escuridão, mas não há sinal do capitão, só o bater repetido de um tambor que parece emanar do dracar fantasma. Como se ele próprio estivesse vivo.

Fim do mundo

Agora o barco já foi além de onde qualquer civilização conhece, sempre avançando naquele ritmo lento. Ali o céu é claro, aberto e cheio de estrelas, mas elas parecem distantes e opacas. Dragões parecem cruzar o céu, olhos de fogo que observam o avanço da embarcação.

Caindo

A correnteza fica mais forte, agora já não há volta e o barco avança. Na frente o mundo desaparece numa queda sem fim, nada além de estrelas e névoa depois disso. O barco pega velocidade e avança, e naquele ponto a água se agita, como que despertada de um sono profundo. Tudo se agita, dragões rugem, fantasmas gritam e o dracar despenca correnteza abaixo.

Fantasmas

"O que foi aquilo?", se perguntam os fantasmas. Para onde foi o barco? Quem era o marinheiro? Ninguém soube responder.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Agora e sempre

Medo

Me vejo rodeado de fantasmas, sozinho na escuridão e sob um olhar indiferente. Não maligno, mas monstruoso. Preso num labirinto sob o escrutínio de uma criatura alienígena, um jogo para sua diversão ou qualquer que seja seu interesse, como se eu fosse um rato de laboratório.

Raiva

Já sentiram uma raiva capaz de consumir o mundo? Um fogo assassino que cega? Pois eu já experimentei ambas as coisas, e admito isso sem efetuar julgamento. De onde que veio isso? É bom ou ruim? O fato é que isso existe, quer eu queria ou não.

Solidão

Uma mão negra envolve meu coração, tateando, insistindo, apertando...