segunda-feira, 28 de maio de 2012

O imperdoável


Sangue novo junta-se a esta terra
E rapidamente ele é subjugado
Pela desgraça constante e dolorosa
O menino aprende as regras deles

Com o tempo a criança se fecha
Este garoto errante que foi mal tratado
Privado de todos os seus pensamentos
O rapaz luta e assim torna-se conhecido
Fez uma promessa a si mesmo
Que nunca a partir deste dia
Sua força de vontade eles tirariam

O que eu senti
O que eu soube
Nunca refletiu no que eu demonstrei
Nunca ser
Nunca ver
Não posso ver o que eu poderia ter sido

O que eu senti
O que eu soube
Nunca refletiu no que eu demonstrei
Nunca livre
Nunca eu mesmo
Então eu nomeio-o Imperdoável

Eles dedicam suas vidas
Para controlar a vida dele
Ele tenta agradar a todos
Um homem amargo ele se torna

Por toda a sua vida foi a mesma coisa
Ele batalhou constantemente
Esta luta que ele não pode vencer
Um homem cansado eles veem 
Que não se importa mais
O velho então se prepara
Para morrer cheio de arrependimentos
Aquele velho sou eu

O que eu senti
O que eu soube
Nunca refletiu no que eu demonstrei
Nunca ser
Nunca ver
Não posso ver o que poderia ter sido

O que eu senti
O que eu soube
Nunca refletiu no que eu demonstrei
Nunca livre
Nunca eu mesmo
Então eu nomeio-os Imperdoáveis

Vocês me rotularam
Eu rotularei vocês
Então eu nomeio-os Imperdoáveis

Nunca livre
Nunca eu mesmo
Então eu nomeio-os Imperdoáveis

Vocês me rotularam
Eu rotularei vocês
Então eu nomeio-os Imperdoáveis

sábado, 19 de maio de 2012

O lobo

Outro dia ouvi um longo uivo vindo de algum lugar distante. Como um chamado selvagem me resgatando da artificialidade, levando minha alma a um montanha no inverno gelado, coberta de névoa. Vejo um lobo solitário mancando no topo da montanha. Ele está ferido, como sempre esteve, afastado de sua matilha. Apesar de sua aparência frágil, seu olhos são pura raiva. Raiva e persistência. Fico me perguntando como ele chegou ali, como sobreviveu tanto tempo, vivendo de migalhas. Ele era o lobo desgarrado, vivendo do que os irmãos deixavam de lado, como um ato de misecórdia. Não lhe foi permitido acasalar, portanto nunca poderia ter utilidade na matilha, fraco como era. Só que ano após ano o inverno era mais frio e o território da matilha diminuía perigosamente. A caça se tornou rara e a matilha começou a minguar. A princípio subiram a montanha, levando consigo um lobo doente, sempre precisando correr ao seu auxílio. Faminto, o lobo solitário procurou alimento em outros lugares, porque não sobreviveria muito tempo comendo os restos dos irmãos, até que acabou separado da matilha, que avançava com mais velocidade sem ele. Assim acabou sobrevivendo de ervas e animais deixados para trás como ele. Sempre faminto, porém seguindo em frente. Era alimento que permitia sua sobrevivência e nada mais. Assim alcançou o resto de sua matilha, mas não aceitava mais os restos dos irmãos e rosnava quando queriam oferecer auxílio, então era outra vez o lobo desgarrado. Porém, diferente dele o resto da matilha só buscava refeições fartas; foi aí que começaram a minguar. Nenhum deles sobrava quando o lobo solitário atingiu o cume da montanha e uivou tristemente por seus irmãos mortos. Sinto que isso aconteceu muitos anos atrás, mas dizem que nos invernos mais gelados, quando a névoa cobre a montanha, ainda pode ser ouvido seu lamento. E para escutar basta prestar atenção.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Elegia

Ela é a rosa que se desfez em minha mão
Aquela que coloquei no altar
Para nunca mais tocar
Ela é o meu coração