quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Coitadismo

Venho falar mais abertamente sobre o coitadismo e a questão de namorar uma mulher não deficiente, que não é relevante apenas para mim, mas para outros deficientes com quem tenho contato. Além da questão de muitas vezes existir uma incompreensão a respeito do deficiente, sua vida cotidiana e como ele vive com limitações, o próprio deficiente pode ter dificuldade de compreender a vida de um não deficiente. Com certeza essa é a perspectiva da qual entendo mais, poderia falar sobre insegurança e complexo de inferioridade, mas isso depende muito de cada indivíduo e sua condição social. Talvez seja relevante falar sobre o que pode causar esses sentimentos e para isso vou citar um exemplo bem compreensível, a quase inexistência de deficientes em nosso meio cultural, alguém que pudesse ser exemplo de independência e visto em uma relação com uma não deficiente, um modelo por assim dizer. O deficiente não tem em que se espelhar considerando que seus pais provavelmente não são deficientes, portanto são modelos apenas até certo ponto, pois também nunca tiveram um deficiente como referência. Sem ela, o deficiente se dissocia e passa a imaginar as coisas sob a ótica de um não deficiente, pois nunca viu a outra alternativa. Nunca se viu no papel de um deficiente capaz porque talvez nunca tenha visto nenhum. Ainda mais em uma relação homem-mulher. Mas isso é assunto para continuar em outros posts e os convido a seguir acompanhando.

Grato!

7 comentários:

Diário De Um Dedinho disse...

Esta explicação e' para os leitores ou para o escritor?
Eu conheço exemplos.
Apesar de me sentir assim também.
Mas a cultura, a educação social tem grande parcela de culpa.
Homens tem que se relacionar com uma mulher que lave, passe e cozinhe.
Mulher perfeita tem que ser alta, esbelta, com medidas pré-destinadas para seios, quadris e cintura.
Pele, olhos e cabelos perfeitos...
Mas me sentir assim, não signifique que eu concorde. Nesta vida tudo tem uma exceção.
Os limites são determinados por cada um.
Um certo novo amigo, está como diz ele: Me pilhando a enfrentar os meus fantasmas...
Sei que para muitos sou uma aberração acompanhada de problemas...
Mas, alguns me fazem me sentir viva e até mulher.
Meu maior inimigo, SOU EU MESMA.

Diário De Um Dedinho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Brizola disse...

Concordo com tudo!

Diário De Um Dedinho disse...

Concorda!? Fiquei surpresa. Achei que iria debater comigo. Me mostrar um outro ponto de vista. Rs...
O questão está e', para que serve a consciência, se não consigo vivê-la pondo-as em prática???
A uma longa caminhada para mim ainda...

Brizola disse...

Elizabete, acho que tenho uma noção razoável das minhas limitações, não preciso me "defender" da tua colocação, entende? Como tu bem colocaste, escrevo tanto para mim quanto para os leitores, não quero "ensinar" ninguém. Não sou imune a normatização que citei na postagem.

Beijo!

Diário De Um Dedinho disse...

Desculpe! Acho que me expressei mal. Hora nenhuma tive o intuito de dizer que você não sabe de suas limitações, ou que está nos ensinando. Apesar que já te falei que estou "aprendendo" muito com você.
Sinceramente sua atenção me trás um enorme prazer.
Na verdade eu e' que me indentifiquei com assunto abordado. E de uma certa forma, mecheu comigo.
E como bicho ferido acabo sempre atacando quem se aproxima da verdadeira Elizabete. Mas e' uma reação inconsciente viu.
E como lhe disse, sei que tudo seria possível... Pois o impossível já e' fato. Só temos a ganhar.
Mas esta consciência não faz eu deixar de me sentir "um pobre rapaz"...

Me perdoe mais uma vez.
Um doce beijo.

Brizola disse...

De maneiro alguma me senti ofendido. Acho que quem se expressou mal fui eu!

Sua colocação foi bastante oportuna e também me fez pensar. Por favor não se acanhe em participar.

Beijo.