Muitas vezes sou "acusado" de ser um exemplo de vida. Tem coisa mais chata? Isso quando não vem acompanhado de uma frase de cunho religioso com a intenção de me motivar. Claro, devo aguardar isso o dia todo, né? Ouvir o quanto sou fabuloso e que Deus me ama. Quer dizer, não basta ser definido como um ser humano abstrato, minhas virtudes foram predeterminadas por um ser abstrato. Mas deixando o desabafo de lado, vou tentar compreender a origem desse pensamento, como ele foi consolidado e repetido até se tornar um discurso pronto e inócuo. Acredito que surja da indefinição que o deficiente causa, a maioria das pessoas nunca tiveram contato com um e mesmo quem já teve pode ter dificuldade em compreender o deficiente, como ele vive e "faz o que eu faço como se fosse uma pessoa normal". Partindo daí, existem duas opções: ignorá-lo ou enaltecê-lo. Não vou nem gastar tempo a respeito de quem ignora, prefiro falar do incauto bem-intencionado que enaltece o deficiente, como se ser exemplar fosse sua única razão de existir, buscar esse objetivo e ser reconhecido como tal. Alguns deficiente agem assim e reforçam o estigma, mas é algo comum em qualquer tipo de comunidade, seja a pessoa deficiente ou não. Mas seguindo o meu raciocínio, insisto na árdua tarefa de compreender esse pensamento e para isso usarei o tópico que mais gosto: mulheres. Afinal esse sujeito exemplar também estaria em busca de uma mulher exemplar, aquele ser mítico e semi-divino que ficaria toda hora a sua volta, sendo compreensiva e topando o desafio. Uma chata insuportável basicamente. Aí faço uma pergunta: já imaginaram um deficiente se relacionando com uma mulher liberal, quem sabe só uma noite de sexo descompromissado, e pasmem - não ligando no dia seguinte? Ou simplesmente dando um pé na bunda nela? Deixo-os com esse pensamento e faço o mesmo comigo.
Obrigado mais uma vez!
2 comentários:
Botaaaaaa!!!!
AFF... Pela segunda vez escrevo meu comentário. (Suspiro) Aff...
Resumo desta vez.
Mulher liberal vc disse.
Acredito que seria indiferente se ligasse ou não. Muito menos "pé na bunda" já que mulheres liberais privam sua liberdade.
Ela só se recordaria desta transa pelo fato irrevogável de que era um cara diferente. Fato.
Somos diferentes. Fato irrevogável.
Porque se não para quê impressão digital???
Se fosse a "chata, insuportável", estas sim ficaria sem chão...
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