sábado, 11 de janeiro de 2014

Razão para viver

Pode soar muito negativo, mas não acredito que haja uma razão fundamental para viver. Consigo ver sentido em causas práticas como pagar contas e sustentar uma família, quem sabe usar o talento de um ofício em prol da sociedade, o que está ligado a pagar contas e afins. Mas fora isso, levando em conta a imensidão do universo, a vida ou a morte de um indivíduo é quase microscópica. Diante disso, existem duas opções: resumir a vida ao que eu citei acima ou ver sentido na falta de sentido. Isso é, aceitar que somos orfãos de um universo indiferente, que não existe um Grande Pai protetor ou uma Grande Mãe acolhedora, a quem buscamos nos relacionamentos amorosos, muito menos na forma de divindades. É possível que o sentido esteja justamente na falta dele? Pois considere o grande leque de possibilidades que se abre, como a inexistência de um guia - ou modelo citando um post anterior - oferece uma perspectiva libertadora. Ou seja, o deficiente teria sim tantas motivos para viver quanto qualquer um, ou melhor dizendo a falta de motivos. Chego a essa conclusão porque muito se fala disso na comunidade dos deficientes, como talvez a impossibilidade de pagar contas e sustentar uma família, ou mesmo namorar. Simplesmente porque é o pensamento comum, o que todos fazem e também se queixam da falta de sentido. Claro que são coisas boas e podem contribuir para uma vida mais significativa, mas de maneira alguma se trata de uma lei universal. Se existe uma, é a indiferença. Curiosa essa palavra, não? Indiferença. Como se não existisse diferença entre os seres vivos e todos fossem iguais para o universo. Quer sentir inveja da pessoa que tem "tudo" e menosprezá-las quando se queixam? Pois o universo não difere quem tem ou não tem, entre o rico e o pobre, o feliz e o triste. Então por que separar o deficiente do não deficiente? Se o próprio universo não faz distinções, por que você o faria?

2 comentários:

Diário De Um Dedinho disse...

Ontem estive aqui...
Nem sei se está lendo meus comentários... Suspiro.
Este tema de ontem, parece que foi escrito para mim.
Ontem nem questionava, ou queria ter motivos para viver.
Abri o bate papo várias vezes para conversar com você (pois vi que estava on). Mas acabava me questionava, para quê?
Por que haver distinção? E' uma boa pergunta. Lamentável, e' não existir uma resposta.

Diário De Um Dedinho disse...

Engraçado, como depende do nosso estado de espírito o modo como vemos as coisas...
Razões para viver! E' isto que precisamos para dar sentido a nossa vida.